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A Mulher De Trinta Anos – Honoré De Balzac

Posted by Mindamorphoser on Friday, December 14, 2007

Parti para este livro com grandes expectativas, dada a notoriedade do autor e a vontade constante, desde há algum tempo, de pegar o livro da estante…

De Balzac, H., 1831, La Femme De Trente Ans (A Mulher De Trinta Anos), Círculo De Leitores, Lisboa – 232 páginas

Considerada a obra-prima do escritor, é passada inteiramente em França, durante a era Bonaparte. É ao longo de seis capítulos que somos levados nesta estória que conta o percurso de vida de uma mulher parisiense, de nome Julia D’Aiglemont: os seus amores e tumultos sentimentais, a vivência da maternidade e da morte de próximos, o viver por si e o viver por outros…

Capítulo Primeiro – Primeiros Erros: A Jovem

Estamos em 1813 e eis que Julia chega a Paris para rever seu pai e seu noivo. Chegada à cidade, dirige-se com Sr. D’Aiglemont à parada militar napoleónica que aí iria ter lugar e em que Vitor, seu noivo, iria participar, dada a sua condição de coronel. Ao reencontrarem-se Julia confessa ao seu pai que pretende casar com Vitor, decisão à qual o ancião se opõe por achar que o militar não será marido à altura do merecimento de sua filha. Sr. D’Aiglemond morre.

Capítulo Primeiro – Primeiros Erros: A Mulher

Um ano volveu, estamos agora em Março de 1814. Efectivado entretanto o casamento de Julia e Vitor, partem para casa da ex-marquesa de Listomére-Landon, em Tours, local onde Vitor deixará Julia pois terá de cumprir uma missão militar. Passando os dias em conversas constantes com a ex-marquesa, Julia, já insaciada nas suas necessidades emocionais, torna-se emocionalmente debilitada e é nessa altura que conhece Artur Ormond, um oficial inglês que a corteja diariamente através de passeios a cavalo em frente à sua janela. Sem que se dê qualquer tipo de aproximação e após algum tempo de guarida, Julia parte para Orleães a pedido do seu marido, onde se encontrarão os dois. A ex-marquesa morre.

Capítulo Primeiro – Primeiros Erros: A Mãe

1817. O estado emocional de Julia agrava-se, dada a plena noção que tinha do desinteresse e da insignificância a que fora votada por Vitor, o qual toma amantes para preencher os seus desejos. Ainda que sob este cenário, nasce a primeira filha do casal, Helena. É agora ela o único motivo para a vida de Julia, que enfraquece dia após dia. E é num dia de Janeiro de 1820 que o estado enfermo que alcançou pede uma intervenção urgente. É aqui que acontece o reencontro entre Julia e Artur, o qual se tornou médico e dela irá cuidar.

Capítulo Primeiro – Primeiros Erros: A Declaração

Decorre o ano de 1821. Ainda em presença de Artur, Julia encontra-se em recuperação, sendo que, em grande parte ela se deva ao amor mutuamente sentem. Omisso até à data, é num passeio que o médico declara os seus sentimentos à Sra. D’Aiglemont, a qual lhe corresponde em palavras, mas lhe nega os actos. Vendo Julia renegar o amor que os une em prol da família, Artur parte.

Capítulo Primeiro – Primeiros Erros: O Encontro

Passaram dois anos. O casamento de Julia e Vitor permanece de fachada, mantido apenas aos olhos da sociedade, mas já sem qualquer substância moral. O coronel parte para uma caçada de uma semana, deixando Julia e Helena. Informado dos planos de Vitor, Artur vai ao encontro da sua amada, sucumbindo ela à tentação… mas eis que os planos de seu marido mudam e ele torna a casa mais cedo. A um ponto da descoberta, o amante é forçado a esconder-se na varanda e aí pernoita, morrendo pelo frio gélido dessa noite de Março.

Capítulo Segundo – Sofrimentos Desconhecidos

Mortificada pela perda, Julia refugia-se num solar em Saint-Lange, desabafando a sua solidão e desespero ao padre da paróquia. Meses passados, Julia abandona o solar já refeita do choque e voltando para junto de Vitor e Helena.

Capítulo Terceiro – Aos Trinta Anos

Num baile em casa da Sra. Firmiani, Julia conhece Carlos De Vandenesse, um diplomata em ascendência que ela vinha acompanhando pelos seus feitos recentes. O entendimento entre os dois é tão inegável, que os encontros entre os dois se sucedem, acabando o jovem por se apaixonar pela Sra. Aiglemont. E conseguir despertar nela o seu amor também.

Capítulo Quarto – O Dedo De Deus: O Biévre

Á revelia de Vitor, Julia e Carlos De Vandenesse mantêm a sua união secreta. Decorre o ano de 1828 e Julia dá à luz um segundo filho: Carlos. Num passeio no parque, do qual Julia, Carlos De Vandenesse, Helena e Carlos fazem parte, Helena, relegada pela mãe para segundo plano após o nascimento do irmão, enfurece-se e empurra Carlos por uma ribanceira, caindo a criança num lago e morrendo afogada.

Capítulo Quarto – O Dedo De Deus: O Vale Da Torrente

Encontramo-nos agora em 1830. O affair com De Vandenesse continua e nasce um novo filho: Gustavo. O pai de Carlos De Vandenesse morre.

Capítulo Quinto – Os Dois Encontros: Fascinação

Nascem dois filhos mais: Abel e Moina. Julia vive em clima de sossego aparente com Vitor e os quatro filhos. Numa noite de convívio familiar, um foragido bate à porta e suplica por asilo a Vitor, que acede ao pedido. Mais tarde, a chegada de oficiais faz saber a Vitor que o foragido é um assassino procurado. Helena, exausta da indiferença e rudez com que era tratada pela mãe, sente-se seduzida pela liberdade de alguém como aquele assassino e quer partir com ele. Assim o fazem.

Capítulo Quinto – Os Dois Encontros: O Capitão Parisiense

A família D’Aiglemont entra em falência, tendo o general de partir em busca de trabalho e fortuna. Após 6 anos fora, quer voltar para casa. Fá-lo numa embarcação, juntamente com outros trabalhadores. Em alto mar, o barco é assaltado por piratas e mortos todos os ocupantes menos Vitor, poupado no último instante após se ter apercebido que o pirata-mor era o assassino que levara sua filha, filha essa com quem casou e que vive no navio também. Dá-se o encontro entre o general e Helena.

Capítulo Quinto – Os Dois Encontros: Ensinamento

O general morre, decorre o ano de 1833. Alguns meses depois, Julia leva Moina às montanhas dos Pirinéus, onde lhe dão a notícia de uma mãe que com seu filho se encontram naquelas paragens doentes e prestes a morrer. Julia presta-se a oferecer ajuda e quando os vai conhecer reconhece-a como sua filha Helena e seu neto nos braços. Ambos morrem na sua presença.

Capítulo Sexto – A Velhice Duma Mãe Culpada

Dos filhos, somente Moina ainda vive, sendo agora casada com Alfredo De Vandenesse, filho do ex-amante da mãe. Julia, com 50 anos, só agora desempenha o verdadeiro papel de mãe, consequência das amarguras dos erros passados. É agora Moina quem não valoriza a mãe, tratando-a como insignificante na sua vida. As mágoas tornam-se demasiadas para Julia, que desfalece no jardim de casa da filha, morrendo depois.

Sinceramente, senti-me algo desiludida após a leitura:

Uma narrativa simplista demais e algo confusa, com personagens diferentes de nomes ou títulos iguais; não percebi o que aconteceu a Carlos De Vandenesse, simplesmente desapareceu da estória; a personagem principal pela qual não senti o mínimo de empatia; a morte é destino de DEZ personagens, o que, digamos, fica uma coisa algo “batida”…

Não reconheci qualquer genialidade na obra, lamentavelmente. Talvez algum outro do autor me surpreenda.

Desculpem a seca… mas que ficou um texto bonito, ficou! Além disso, não é só para vocês, é para eu me lembrar do que li, daqui a um tempo. Esta minha memória é péssima…

4 Responses to “A Mulher De Trinta Anos – Honoré De Balzac”

  1. roberta said

    gostaria também de saber em q ponto a obra é elogiada. Retrata uma época de casamentos infelizes, pois continuavam casados pra manter a nobreza. julia rejeitada pelo marido do papel q nunca foi marido, rejeita a filha de ambos e joga a filha para um destino cruel. e passa ao longo dos mais de 30 anos uma busca para suprir uma carencia de mulher, e todos a quem ela se doou, morreram, menos o marido q sempre a desprezou. e no final sabendo a filha de quem foi a mãe a julga, e nao vê motivos e a também rejeita, oq para julia nao é mais suportavel e ela sem forças nem motivos morre. a morte nakele era fuga para os problemas? bom… realmente é distante das mulheres de 30. tenho 30 também, penso q existem muitos casamentos infelizes, q ainda tem mulheres como a julia q pelo nome , filhos, existem adultérios traiçoes. porém acho q hj temos uma sociedade mais individualista, a felicidade nao está apenas na busca por um casamento ou vida a dois, e sim uma busca pessoal de cada um.

    por outro lado há uma cobrança ainda social para mulher aos trinta q nao bem sucedida sobretudo no casamento, e depois q veem a vida profissional, ahhh bom deixa, pra nao falar mais bobagens, rs li o resumo e me frustrei esperava mais da obra !

  2. Myriam Teodoro said

    Li há um tempo.. uns 3 anos de completar 30.. hj com 32 li o resumo. Não vi qqr semelhança com a atualidade e as mulheres… Talvez tenha chamado atenção na época, por ser um romance um tanto pernicioso, naquela época…
    Blasé…

  3. Sandra Medina said

    O livro está muito aquém das minhas expectativas. Quando o comecei a ler esperava uma história com muitas mais aventuras e desenganos, e o que encontrei foram apenas mortes e traições…
    Espero sinceramente que o próximo livro seja escrito com mais entusiasmo e que cative os leitores. Leitores esses a que não vou pertencer.

  4. Leca said

    Foi um dos livros mais marcantes que já li, fiquei muito impressionada com toda a profundidade da descrição psicológica das personagens femininas e o trágico destino de Júlia, decorrente de suas escolhas. O momento em que o pai e o padre tentaram alertá-la para não tomar caminhos que provavelmente trariam infelicidade como o casamento com um homem que não a entendia e tinha aspirações muito diferentes das suas e quando este ato já estava concretizado e o padre tentou levar esperança de felicidade no amor a sua filha e a família, o qual Júlia já tinha se empenhado antes de conhecer seu grande amor, já falecido. Mas o egoísmo e amargura já a tinham dominado e não superou esta perda, descontando toda a sua frustração em Helena.
    A filha da dor,ainda adolescente e atormentada por uma culpa que lhe foi imposta pela própria mãe(a de sua infelicidade), como que numa tentativa de expiação, resolve partir com um assassino, com quem se identificava por se sentir tão irrecuperável quanto ele – uma menina de uns quinze anos!
    Antes de partir falou ao pai que não tinha interesse em nenhum amigo dele, clara referência à mãe a quem a menina já tinha intuído que a via como uma rival e finalmente o encontro da já adulta Helena, agonizante junto ao único sobrevivente entre seus filhos que também estava a beira da morte e Júlia, e o desabafo final de Helena…”Se não
    fosse por você (por sua indiferença, por não me perdoar ao me atribuir toda a culpa de sua infelicidade),nada disso teria acontecido(não teria me casado com um bandido assassino e não estaria morrendo agora após ter visto meus outros filhos morrer). Estou sem fôlego!
    Sem contar o momento em que Helena reencontra o pai e toda a justificação que esta dava para os atos do companheiro corsário.

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